Pensadores

Ser ou não ser professor, não é questão, é ter dom.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Indignação com as laranjeiras

O texto abaixo foi publicado no jornal Folha de São Paulo e pode ser encontrado no site do professor Bresser-Pereira. Muito bom. Reflitam.

Luiz Carlos Bresser-Pereira Folha de S.Paulo, 19.10.2009

Há uma semana, duas queridas amigas disseram-me da sua indignação contra os invasores de uma fazenda e a destruição de pés de laranja. Uma delas perguntou-me antes de qualquer outra palavra: "E as laranjeiras?" -como se na pergunta tudo estivesse dito.
Essa reação foi provavelmente repetida por muitos brasileiros que viram na TV aquelas cenas. Não vou defender o MST pela ação, embora esteja claro para mim que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra é uma das únicas organizações a, de fato, defender os pobres no Brasil. Mas não vou também condená-lo ao fogo do inferno. Não aceito a transformação das laranjeiras em novos cordeiros imolados pela "fúria de militantes irracionais".
Quando ouvi o relato indignado, perguntei à amiga por que o MST havia feito aquilo. Sua resposta foi o que ouvira na TV de uma das mulheres que participara da invasão: "Para plantar feijão". Não tinha outra resposta porque o noticiário televisivo omitiu as razões: primeiro, que a fazenda é fruto de grilagem contestada pelo Incra segundo, que, conforme a frase igualmente indignada de um dos dirigentes do MST publicada nesta Folha em 11 deste mês, "transformaram suco de laranja em seres humanos, como se nós tivéssemos destruído uma geração o que o MST quis demonstrar foi que somos contra a monocultura".
Talvez os dois argumentos não sejam suficientes para justificar a ação, mas não devemos esquecer que a lógica dos movimentos populares implica sempre algum desrespeito à lei. Não deixa de ser surpreendente indignação tão grande contra ofensa tão pequena se a comparamos, por exemplo, com o pagamento, pelo Estado brasileiro, de bilhões de reais em juros calculados segundo taxas injustificáveis ou com a formação de cartéis para ganhar concorrências públicas ou com remunerações a funcionários públicos que nada têm a ver com o valor de seu trabalho.
Por que não nos indignarmos com o fenômeno mais amplo da captura ou privatização do patrimônio público que ocorre todos os dias no país? Uma resposta a essa pergunta seria a de que os espíritos conservadores estão preocupados em resguardar seu valor maior -o princípio da ordem-, que estaria sendo ameaçado pelo desrespeito à propriedade.
Enquanto o leitor pensa nessa questão, que talvez favoreça o MST, tenho outra pergunta igualmente incômoda, mas, desta vez, incômoda para o outro lado: por que os economistas que criticam a suposta superioridade da grande exploração agrícola e defendem a agricultura familiar com os argumentos de que ela diminui a desigualdade social, aumenta o emprego e é compatível com a eficiência na produção de um número importante de alimentos não realizam estudos que demonstrem esse fato?
A resposta a essa pergunta pode estar no Censo Agropecuário de 2006: embora ocupe apenas um quarto da área cultivada, a agricultura familiar responde por 38% do valor da produção e emprega quase três quartos da mão de obra no campo.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, nesta Folha listou esses fatos e afirmou que uma "longa jornada de lutas sociais" levou o Estado brasileiro a reconhecer a importância econômica e social da agricultura familiar. Pode ser, mas ainda não entendo por que bons economistas agrícolas não demonstram esse fato com mais clareza. Essa demonstração não seria tão difícil -e talvez ajudasse minhas queridas amigas a não se indignarem tanto com as laranjeiras.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Venho, publicamente, agradecer a homenagem prestada pelos formandos de Administração 2009.1 da UNEB Universidade do Estado da Bahia, Campus XI- Serrinha, na qualidade de Professor Homenageado, em solenidade de colação de grau que acontecerá dia 14 de novembro de 2009, em Serrinha.
Sinto-me muitíssimo honrado com a homenagem, pois tenho um carinho especial pela turma e espero, de coração, que utilizem do aprendizado conseguido nessa caminhada acadêmica para transformar o ambiente onde atuarão.
Um beijo e um forte abraço.
Muito obrigado.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O Triste Retrato da Política Brasileira


É lamentável, ultrajante e humilhante a maneira como nossos políticos, especialmente nossos Senadores, estão se comportando. A charge acima (by Simon) mostra claramente como é podre o Congresso Nacional, com raríssimas exceções.
Até quando, nós brasileiros, vamos suportar essa tropa a dilapidar o erário?
O Brasil precisa tomar vergonha na cara e reagir. REAGE BRASIL!


sexta-feira, 24 de julho de 2009

Recuperação econômica pode trazer empregos de volta no segundo semestre

Gilberto Costa - Agência Brasil

A melhora do cenário econômico no segundo semestre poderá amenizar os efeitos do desemprego verificado nos seis primeiros meses do ano. A avaliação foi feita pelo economista Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ao relacionar os efeitos da crise no mercado de trabalho, com base em dados da Pesquisa Mensal de Emprego, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de janeiro a maio.
No período, a quantidade de desempregados nas regiões metropolitanas de Porto Alegre, São Paulo, do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte, Salvador e Recife, aumentou 29,9% em relação aos cinco primeiros meses do ano passado (466 mil trabalhadores). De março a maio, do total de 255 mil pessoas que tornaram-se economicamente ativas, apenas 95 mil (37,2%) conseguiram ocupação.
Segundo Marcio Pochmann, a recuperação econômica esperada, a partir de junho, poderá expandir a capacidade produtiva e criar a necessidade de mais contratação de mão de obra. “Ampliando a produção, vai ocupando o equipamento existente e fazendo com que mais pessoas sejam chamadas a trabalhar.” Ele acredita que o quadro de recessão iniciado em outubro do ano passado foi superado depois de março.
Para o economista, o salto da quantidade e da qualidade dos empregos depende de investimentos que poderão aumentar com a diminuição da taxa Selic. “A redução dos juros diminui o pagamento do serviço da dívida para o governo e estimula o setor empresarial, que tinha recursos represados no setor financeiro, a investir no setor produtivo em busca de retornos maiores”.
A expectativa do presidente do Ipea é que, a partir de junho, se observe a recuperação dos postos de trabalho, inclusive para as pessoas mais atingidas com o desemprego, de janeiro a maio: trabalhadores com mais de 55 anos e mais qualificados. De acordo com Pochmann, ocorreu no período um “ajuste” no interior do mercado de trabalho. “De um lado, estamos assistindo aumento da rotatividade do emprego. Pessoas com mais idade, e geralmente com melhor remuneração, terminam sendo trocados por pessoas mais novas que têm remuneração menor.”
“A rotatividade torna as pessoas com mais idade mais fragilizadas em um ambiente de baixo dinamismo econômico e maior desemprego”, disse o presidente do Ipea. “Aqueles trabalhadores com mais idade geralmente chefiam uma família. É difícil, portanto, ficar sem uma renda. Nesse sentido, a perda de trabalho vem acompanhada do exercício de alguma atividade, uma estratégia de sobrevivência para superar essa situação.”
A crise também fez retrair 61 mil postos de trabalho informal. Segundo Pochmann, os trabalhadores não registrados sofreram mais com o encolhimento da renda familiar disponível. “A redução da informalidade não tem a ver com o fato das pessoas estarem migrando para o mercado formal, mas ao corte dos postos de trabalho relacionados à disponibilidade de renda”, analisou.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

QUEDA NA ARRECADAÇÃO FISCAL PELA OITAVA VEZ

Segundo dados divulgados pela Receita Federal, a arrecadação de impostos e contribuições federais ficou em R$ 54,034 bilhões em junho. Foi a oitava queda consecutiva na arrecadação em comparação a um mês anterior e um recuo real de 7,51% em relação a junho de 2008.
Em comparação com o primeiro semestre de 2008, a arrecadação é 7,02% menor e acumula R$ 321,375 bilhões no ano.
Consequentemente, essa redução de arrecadação refletirá, negativamente, no Fundo de Participação dos Municípios, minando as finanças municipais, principalmente os pequenos municípios que vivem quase que exclusivamente do repasse do FPM.
Diante desse cenário, as projeções efetuadas pelo Governo, principalmente no que se refere ao crescimento do PIB, deverão ser revistas, pois sugere um resultado fiscal, no final de 2009, que combinará uma redução de recursos orçamentários com uma redução do superávit primário.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já declarou que, se for necessário, o governo fará novos cortes de gastos para manter a meta de superávit primário deste ano, que é de 2,5% do PIB. Será um desafio, pois o Governo pretende manter o reajuste de salário acordado com os servidores públicos em 2007.